No interminável baile da vida há aqueles que dançam conforme a música, dispersos e alheios ao mundo que os rodeia e há os dançarinos mais perspicazes, argutos observadores da condição humana. Esses últimos sabem que as verdades de hoje serão as mentiras de amanhã e que a recíproca também é verdadeira. Os fatos irão mais cedo ou mais tarde revelar-se tal como são. A Terra que antes era tida como quadrada foi de fato remodelada através da perspicácia da ciência e da rebeldia do espírito humano. Que ninguém subestime os rebeldes nem faça má figura desses sem um estudo aprofundado do que eles têm para dizer. Mas sempre há aqueles, os dançarinos alienados, que são tão quadrados quanto era a Terra antigamente. Eles não aceitam a mudança, querem manter tudo como está por que "Deus quer assim". Tudo o que vai contra os seus conceitos, ofende Deus e merece ser execrado. Sobre esse assunto, porém, é necessário que se faça um pequeno parêntese: temos de ter bastante cuidado... Mesmo os mais intelectuais, mesmo os mais pragmáticos caçadores de verdades têm alguns pensamentos falsos; bem como os que são rotulados de "caretas", de "boçais", muitas vezes portam, sim, idéias corretas . É necessário muito bom senso ao julgar as opiniões das pessoas. Bem... depois desse pequeno grande parêntese voltaremos agora ao principal. Como já foi dito há pessoas que não se conformam simplesmente com a música sem tecer a esta alguma observação. Há as que não se conformam apenas com a "verdade" que ecoa pelas praças,. É preciso para elas descobrir o que há por trás desse dogma, a que fins, afinal, a música se presta. Nesse momento de inquietação intelectual é que os "rebeldes" percebem que muitos dos músicos são na verdade sofistas. Se tais músicos defendem Deus é porque crêem ou querem que outros acreditem nos valores e nas contradições com os quais os próprios sofistas se arrastam. Sendo assim, os "infiéis" percebem que Deus é usado pelos tolos humanos para defender interesses, respaldar preconceitos e aumentar as desigualdades sociais. É por isso que para muitos desses rebeldes ( porém não todos) não foi Deus que criou o homem a sua imagem e semelhança, mas, sim, justamente o contrário. Se o homem é rico e quer manter sua riqueza pilhando outros povos e nações ele provavelmente dirá que o Criador está ao lado dele e que o próprio Pai o ajudará a derrotar o exército inimigo. É de se perguntar se este Pai moralmente perfeito, que o belicista diz o apoiar nos campos de batalha, não é moralmente inferior aos pais terrenos. Ora, qual é o pai terreno que ajuda um filho a matar o próprio irmão? É importante, pois, estar atento ao mundo que nos cerca, é necessário que nós tenhamos uma visão crítica não só da realidade como de nós mesmos. Perguntar-se freqüentemente se as próprias opiniões não são meras falácias e se não rotulamos erroneamente as outras pessoas não é mais que mera obrigação para uma pessoa que se propõe a entender o mundo.
sexta-feira, 28 de março de 2008
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Um comentário:
Querido Davi, acredito que é mesmo por aí - não seria esta a função última da educação?
Parabéns pelo texto. Abraço fraterno,
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